LOGÍSTICA NA INDÚSTRIA MADEIREIRA
31/05/2010 at 7:00 am Deixe um comentário
Do ponto de vista da indústria, logística significa o processo de gerenciar todas as atividades necessárias para estrategicamente movimentar a matéria prima, parte do processo e estoques. A logística tem o objetivo de tornar disponíveis produtos e serviços, no momento e local onde são desejados, com integração de informações.
A partir dos anos 90 os empresários brasileiros começaram a se preocupar com logística, mesmo assim, ainda há muito para evoluir. Na realidade, não há um sistema logístico independente na indústria madeireira. A distribuição física, por exemplo, está ligada à área de produção. Os principais pontos abordados pela logística na indústria madeireira devem ser: tempos de entrega, estoques, previsões, qualidade na movimentação, arranjo dos produtos e integração, sempre enfocando o cliente e a redução dos custos totais.
A logística está intimamente relacionada com marketing. Em muitos casos, uma entrega de produto no prazo definido importa mais que o próprio preço ou a qualidade. Para isto, todo o processo produtivo da empresa deve estar devidamente dimensionado no tempo de cada fase, calculando assim o tempo de fabricação, tendo uma base para definir o prazo de entrega do produto para o cliente. Este deve ser diminuído ao máximo, com um menor custo, cuidando sempre para atender as necessidades e requisitos dos clientes.
A logística interna cuida do processo da entrada até a saída da fábrica e seu objetivo principal é fornecer o serviço desejado ao cliente, mantendo o mínimo de estoque, com o menor custo total possível. Seja matéria-prima, produto acabado, insumos utilizados na produção ou qualquer tipo de estoque, podem ser considerados dinheiro parado. Ao
estocar deve-se também analisar o quesito segurança, evitando avarias e quebras, além de extravios e furtos. O dimensionamento do local de armazenagem, assim como a disposição, são feitos conforme um critério racional, a fim de reduzir ao máximo o esforço de movimentação. As empresas madeireiras tendem a reduzir seus níveis de estoque ao máximo, contudo sem prejudicar o nível de serviço do sistema.
Evitam-se esquemas fixos que não permitem alterações no layout, buscando portanto, soluções flexíveis em que a rapidez e a facilidade de acesso são fundamentais. Ao dispor mais próximo do local de utilização materiais com maior número médio de movimentações, o processo torna-se facilitado, diminuindo distâncias e custos de transporte. O retrabalho de carga incorreta ou de avarias de trânsito acarreta um atendimento de pedido muito mais caro. A mão de obra deve ser treinada e capacitada para o transporte interno da empresa para que não ocorram danos nos materiais, diminuindo as perdas e aumentando o rendimento, além da segurança.
É fundamental a projeção de valores ou quantidades que deverão ser produzidas, vendidas, estocadas e expedidas, conforme a necessidade. Dependendo das técnicas utilizadas, é possível estimar valores muito próximos da realidade, lembrando que prever não é uma ciência exata. Orientar o planejamento e a coordenação de sistemas de informações logísticas é a função das previsões. Um começo para as empresas madeireiras é criar um banco de dados de informações de consumo de materiais e tempos de processo.
A logística integrada vincula a empresa a seus clientes e fornecedores. Esta integração demanda um fluxo de informações para ajudar a dimensionar o fluxo de materiais. Este intercâmbio de dados com a atual tecnologia de informações está muito mais fácil e rápido, viabilizando esta operação.
Normalmente empresas madeireiras têm uma idéia errada de logística, confundindo esta com um simples transporte. Uma vez que o valor final do produto acabado tem aproximadamente 25% de custos em logística. Fábricas que querem diminuir o custo total de produção devem necessariamente otimizar seu sistema logístico. Padronização de processos e indicadores de desempenho facilitam nesta otimização do sistema. Enfocando-se nos resultados financeiros, sendo transparente, aberto a críticas, próativo, rápido nas mudanças necessárias e benefícios aos seus clientes e clientes do seu cliente, faz com que estes se tornem fiéis, ao terem as expectativas alcançadas.
Autor: Ernesto Augusto Garbe, possui graduação em Engenharia Industrial Madeireira pela Universidade Federal do Paraná (2005) e Universidad Austal de Chile (2004). Doutorando em Tecnologia e Utilização de Produtos Florestais (UFPR). Com experiência em diversas empresas brasileiras e internacionais. Atualmente é diretor da EAGARBE – Planejamento, Engenharia e Gerenciamento, desenvolvendo trabalhos na área de Desenvolvimento de Mercados e Processos Produtivos Madeireiros.

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