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Custos Logísticos II

Para atingir a vantagem competitiva, esforços têm sido concentrados na melhoria das atividades logísticas, tanto a nível interno como nas atividades que permeiam toda a sua cadeia de suprimentos, como fonte de redução de custos ou de diferenciação para obterem vantagem competitiva.

Uma vez que o gerenciamento logístico é um conceito orientado para o fluxo, com o objetivo de integrar os recursos ao longo de todo o trajeto compreendido entre os fornecedores e clientes finais, é desejável que se tenha uma forma de avaliar os custos e o desempenho desse fluxo.

Pode-se então, definir Logística como sendo o processo de planejar, implementar e controlar o Buxo e o armazenamento, eficiente e eficaz em termos de custo, de matérias-primas, estoque em processo, produtos acabados e as informações correlatas desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de obedecer às exigências dos clientes.

A evolução do processo de logística alcança atualmente a fase de Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos.

O aumento da complexidade e da interdependência organizacional também está levando as empresas a adotarem estratégias que aumentem a flexibilidade organizacional e, ao mesmo tempo, permitam integrar toda a organização em um objetivo comum, como as estratégias competitivas orientadas pelo/para o cliente (Kotler e Armstrong, 1995).

O valor total de determinado produto é composto pela margem e pelas atividades de valor. As atividades de valor são as atividades físicas e tecnologicamente distintas desempenhadas por uma empresa para a criação de um produto com certo valor no mercado. Para Porter (1989), as atividades de valor são classificadas em duas categorias: atividades primárias (logística de suprimentos, operações, logística de distribuição marketing e vendas, assistência técnica) e atividades de apoio {Infra-estrutura da empresa, gerenciamento de recursos humanos, desenvolvimento de tecnologia, aquisição de insumos e serviços).

A cadeia de suprimentos é formada por uma seqüência de cadeias de valor, cada uma é correspondente a uma das empresas que formam o sistema (Novaes, 1999). Seu gerenciamento estende o conceito de integração além da empresa, para todas as empresas que compõem a cadeia. Ela engloba os fornecedores de matéria-prima de determinado produto, até o consumidor final, passando pela manufatura, centros de distribuição, atacadistas e varejistas.

Ela é composta pelos elementos: suprimento da manufatura, manufatura, distribuição física, varejo, transporte e consumo. Atualmente, considera-se que a cadeia de suprimentos vai além da etapa de consumo, expandindo-se seu conceito para a reciclagem dos materiais consumidos (Logística Reversa ou Verde).

No contexto de que o controle tem passado das mãos do fornecedor à do cliente, as empresas desenvolveram novas formas se gerenciamento (TQM – melhoria contínua e GP – gerenciamento de processos). A definição de cada etapa do processo como atividades que agregam ou não valor possibilita o melhor entendimento entre processos e custos.

Os métodos tradicionais da contabilidade de custos têm sido questionados, pois confia em métodos arbitrários para a alocação de custos indiretos e, portanto geralmente distorce a lucratividade verdadeira dos objetos de custo (produtos, clientes, canais de distribuição).

Uma evidência da falta de comprometimento dos dados contábeis com os custos logísticos é observada na elaboração dos planos de contas (Lima, 1998). Os custos dos transportes de suprimentos compõem o custo do produto vendido, como se fosse custo de material. Os custos de distribuição aparecem como despesas de vendas, outros custos aparecem como despesas administrativas. Nenhuma afirmação referente às atividades logísticas é evidenciada.

A falta de informações de custos que sejam úteis ao processo decisório e ao controle das atividades torna necessário o desenvolvimento de ferramentas gerenciais com objetivos específicos. O gerenciamento dos custos logísticos pode ser focado de acordo como objetivo desejado. Pode-se desenvolver um sistema para atender uma atividade, um conjunto de atividades ou, até mesmo, todas as atividades existentes na cadeia de suprimentos. A gestão de custos logísticos deve extrapolar os limites da empresa. Consideram-se, assim, as atividades desenvolvidas por outros componentes da cadeia logística.

O enfoque da gestão integrada dos custos relacionados à cadeia de suprimentos se contrapõe à análise tradicional da logística. A análise dos custos sob a ótica da logística consiste na avaliação do Custo Total Logístico e no conceito de Valor agregado.

Ballou (1995) afirma que o custo total logístico é a soma dos custos de transporte, estoque e processamento de pedido. Sob a perspectiva da Cadeia de Suprimentos, decisões tomadas com base no conceito de custo total logístico não conseguem enxergar os custos existentes fora da empresa. Esse tipo de análise torna-se um tanto quanto restritiva por não conseguir gerenciar os custos gerados pelas atividades desempenhadas por uma cadeia de suprimentos. Pelo fato de estar restrita a aspectos internos da empresa, tal análise não permite uma visão estratégica dos custos.

Muitas empresas utilizam o conceito de Valor Agregado na avaliação de seu desempenho. Gerenciar os custos com eficácia exige uma abordagem mais ampla, externa ao ambiente da empresa. Deste modo o conceito de valor agregado, interno à empresa é posto em xeque, pois este começa muito tarde e termina muito cedo. Ele inicia a análise de custos com as compras, deixando de fora todas as oportunidades de explorar elos com fornecedores e determina com as vendas, deixando novamente de explorar elos com os consumidores (Shank e Govindarajan, 1997 apud Freires, 2000).

Sob a ótica da análise convencional, os custos são decorrentes do volume de produção. Em um enfoque estratégico dos custos este conceito é abandonado e procura-se levantar quais são os fatores que efetivamente provocam os custos, tais fatores são chamados de direcionadores de custos.

Com o advento da globalização e da competitividade os sistemas de custos tradicionais foram revisados devido ao aumento da importância dos custos indiretos nas empresas e a necessidade de se utilizar a análise de custos como avaliação de desempenho das empresas.

A principal ferramenta tradicional de apuração de custos é o Método dos Centros de Custos, no qual a empresa é dividida em centros de custos. Esse método é direcionado para o objetivo fiscal, de tal forma que não há compromisso dessa metodologia com os custos logísticos (Lima, 1998). Uma das grandes dificuldades, com a utilização do Método dos Centros de Custos, é apurar custos que não sejam aqueles de produtos ou dos centros de custos.

Dessa forma, se o objetivo for o custeamento da cadeia logística, a visão fragmentada do processo logístico torna difícil a execução dessa tarefa. Outro fato é que, dos custos logísticos, aqueles relacionados com transporte são considerados despesas variáveis em relação à quantidade vendida e associados aos produtos, porém os demais classificam-se como gastos fixos, estando fora da área de abrangência do custeamento, com base no princípio do Custeio VariáveL

O Custo padrão se aplica para a identificação das diferenças nos custos de matéria-prima e mão-de-obra direta, mas para as demais categorias de gastos seu emprego é questionado em virtude de possíveis rateios que têm que ser realizados e, com os quais, os dados resultantes podem ser pouco confiáveis.

O método ABC inicialmente tinha como foco eliminar as distorções causadas na apuração dos custos dos produtos e serviços causados pelos métodos tradicionais de custeio, basicamente objetiva-se uma melhor precisão do custeio de produtos e serviços.

Fundamentado na estrutura de atividades de uma organização e não no modelo departamental tradicional, o método ABC contribui para o gerenciamento dos custos logísticos na medida em que fornece informações quantitativas baseadas em atividades para: avaliar o fluxo de determinados processos, analisar o fluxo de processos alternativos baseados em informações econômicas, determinar o custo relativo de várias atividades e o efeito potencial de mudanças, identificar produtos, clientes e canais lucrativos, direcionar e estabelecer o relacionamento entre empresa e fornecedores.

O caráter quantitativo do método ABC torna-se, dentro deste contexto, um componente-chave para a análise e avaliação de processos logísticos, além de melhorar a qualidade das decisões. Entretanto, a maior dificuldade no uso do custeio baseado em atividades advém da grande variedade de práticas e métodos de implantação, definições e procedimentos. O objetivo deve ser o melhor sistema de custeio para os processos logísticos, um sistema que equilibre o custo dos erros decorrentes de estimativas incorretas e o custo de medição.

Os esforços empreendidos para aumentar a visibilidade dos custos envolvidos na cadeia logística levaram à criação de ferramentas tais como Lucratividade direta por produto (ou DPP), Custeio Total de Aquisição (TCO) e Análise da Lucratividade de clientes (CPA) e Resposta Eficiente ao consumidor (ECR).

Depois de definidas as atividades da cadeia logística e de distribuídos a ela os gastos, a compreensão das atividades relativas à distribuição que podem ser associadas diretamente aos produtos, permite que se verifique a Lucratividade Direta por Produto (DPP), a partir do con&onto da receita gerada pelo produto com os gastos variáveis e diretos que podem ser apropriados a eles. Com essa ferramenta, a organização pode conhecer e tomar medidas para a redução de custos das atividades de distribuição mais onerosas ou não agregadoras de valor, que diretamente interferem na lucratividade dos produtos.

Quando se fala sobre o TCO, percebe-se que novamente o Custeio Baseado em Atividades pode ser empregado para sua operacionalização. O TCO reconhece que os custos de aquisição de um item não são somente aqueles do item propriamente dito, mas de todas as atividades executadas para que o item seja adquirido e utilizado. Assim, as atividades envolvidas no recebimento podem ser associadas aos vários fornecedores da empresa, com o objetivo de identificar gastos gerados por cada um deles e, a partir daí, esses gastos podem ser utilizados para a avaliação desses fornecedores.

O ECR ou Resposta Eficiente ao Consumidor também pode valer-se das informações do ABC para melhorar o modo de executar atividades, com o intuito de reduzir custos, que constitui o seu objetivo. A definição de atividades mais onerosas e a identificação de atividades não agregadoras de valor mais uma vez podem ser empregadas para o redesenho de processos e a implantação de inovações no modo de desempenhar as tarefas.

MODELO DE GERENCIAMENTO ABC APLICADOS À LOGÍSTICA

O Custeio Baseado em Atividades pode servir de base para o custeio e gerenciamento das atividades da Cadeia de Suprimentos. Como os custos logísticos são basicamente custos de serviços, o ABC pode ser uma das melhores alternativas para a determinação desses valores, devido à sua aplicabilidade nesses ambientes. A visão horizontal da empresa, necessária para a identificação das atividades executadas no fluxo logístico, também está presente na teoria do Custeio Baseado em Atividades, onde as atividades são identificadas através de um mapeamento dos processos.

Assim, conclui-se que o ABC pode ser empregado como base para a utilização de outras técnicas, que permitirão a melhoria dos processos da cadeia e redução dos custos logísticos. Proposta modelo de gerenciamento dos custos logísticos com base no ABC (Freires, 2000). A proposta segue os seguintes passos:

a) Processos logísticos envolvidos em uma cadeia genérica de suprimentos
A existência destes processos gera custos que permeiam toda a cadeia de suprimentos. Partindo-se da manufatura, observa-se que os processos se iniciam com a escolha de fornecedores e percorrem toda a cadeia até a disponibilização de bens e serviços para o consumidor final, passando pela armazenagem e o varejo.

b) Detalhamento dos processos logísticos
Para que o sistema de custeio ABC seja adequado é fundamental que se entenda como os custos são incorridos. Uma análise dos processos empresariais (Business Process Analisys – BPA) identifica os processos e os divide em atividades.

c) Determinação das atividades ocorridas dentro dos processos logísticos
Com a execução de um fluxograma de atividades constitui-se a base para a identificação do que é realizado por uma cadeia de suprimentos através do uso da análise de suas atividades.
A logística empresarial é composta pela Administração de Materiais e pela Distribuição Física. O grupo de operações relativas ao fluxo de bens, desde o local de sua produção até o seu destino final com o nível de serviço esperado é chamado de Distribuição Física.

d) Análise e avaliação dessas atividades
Determinadas as atividades, estas são descritas por verbos associados a objetos(exemplo: acompanhar pedidos, receber materiais, embalar produto, etc.), relacionadas à manufatura, distribuição física, clientes e consumidor. Atualmente existem dicionários padrão que oferecem um modelo para seleção de atividades apropriadas em determinadas aplicações (Kaplan e Cooper, 1998).

e) Análise das atividades
Cada atividade representada deve ser documentada. O processo de documentação das atividades deve especificar: Entradas (Inputs) que as atividades recebem; o modo como as atividades são desempenhadas; quem as realiza; quais atividades fornecem Inputs; quais são as saídas (Outputs) que as atividades produzem; que outras atividades recebem os Outputs dessas atividades e quais são os recursos consumidos para desempenhar essa atividade.

f) Determinação dos custos das atividades e alocação dos custos aos objetos
Os direcionadores de custo de atividades associam os custos das atividades a objetos de custos (produtos, serviços, clientes e fornecedores). Um direcionador de custo de atividade é uma medida quantitativa do desempenho de uma atividade. A etapa de determinação dos direcionadores de custos é semelhante ao procedimento de identificação dos processos e atividades. A etapa inicial da alocação dos custos em um sistema ABC consiste na alocação dos custos dos recursos consumidos pelas atividades. Os recursos são apropriados às atividades através de direcionadores de recursos. Para que se consiga a melhor definição do direcionador de recurso, é necessário o bom entendimento dos processos/atividades logísticas.

CONCLUSÕES

A análise em questão deverá utilizar uma ferramenta que aborde plenamente o potencial para o gerenciamento de todos os custos existentes em uma cadeia de suprimentos. Contudo o ABC permeia toda a cadeia, dependendo do seu nível de detalhamento, ele pode alcançar as atividades relacionadas com o consumidor final. A integração dessas ferramentas representa um grande impacto na visibilidade dos custos ocorridos em uma cadeia de suprimentos genérica.

07/05/2010 at 7:00 am Deixe um comentário

Logística na Gestão de Suprimentos

Para que a logística possa oferecer resultados positivos à empresa é preciso observar a cadeia produtiva inserida na organização. Para tanto, deve-se avaliar a cadeia de suprimentos e o gerenciamento desse ciclo de suprimento.   

 A cadeia de suprimento é o grupo de fornecedores que suprem as necessidades de uma empresa na criação e desenvolvimento dos seus produtos. As empresas que utilizam a mesma cadeia de suprimentos devem se comunicar e cooperar entre si eliminando todo desperdício, com o objetivo de satisfazer o cliente final ao menor custo possível.

 As informações ocorrem nos dois sentidos, existindo um fluxo de informações, recursos, reclamações e de produtos, entre outros, no sentido cliente para fornecedor e vice-versa, na busca pela melhoria contínua. 

Por sua vez, o gerenciamento da cadeia de suprimento ou supply chain Management (SCM) é a gestão da cadeia de suprimento com o objetivo de torná-la cada vez mais eficaz. Esta gestão visa identificar os pontos fortes e fracos de toda a cadeia a fim de tomar decisões com o objetivo de mudanças, combatendo o desperdício e aumentando a competitividade da empresa (Shapiro, 2001, p.4).

A gestão da cadeia de suprimento adota várias práticas logísticas visando eliminar desperdício e reduzir custos, tais como: 

Cooperação: incentivar o trabalho conjunto entre clientes e fornecedores com objetivo de eliminar toda e qualquer operação que não agregue valor (desperdício).

Tecnologia da Informação: a informática oferece ferramentas utilizadas na gestão da logística, tais como ERP, WMS, EDI, código de barras, kanban eletrônico, RFID, etc. A exatidão e correção da informação são fundamentais para tomada de decisões, além de viabilizar ou facilitar a execução de outras práticas aqui listadas. Não é mais possível ser eficiente sem o auxílio dessas ferramentas e de um sistema ERP confiável e preciso como o Omega,  que ofereça  amplo suporte para as operações. 

Modais no transporte: é boa prática a utilização de qualquer modo de  transporte combinado durante o percurso, se houver redução de custo ou prazo é necessário manter a qualidade requerida. 

Logística Reversa: devido à preocupação com o impacto no meio ambiente, a legislação está levando as empresas a serem responsáveis pelos produtos e embalagens após a entrega aos clientes. Os produtos que se tornam obsoletos, danificados ou quebrados devem retornar ao ponto de origem onde serão reparados ou sucateados e as embalagens reaproveitadas. As vantagens estão na percepção dos clientes sobre a preocupação ambiental do fornecedor e na redução de custos na compra de embalagens e matérias primas. 

Terceirização: considera a opção de contratar parceiros para executar atividades específicas as quais podem ser mais bem executadas e a menor custo do que sua empresa é capaz.   

Globalização: considera que não existem pré-condições geográficas definidas; fornecedores e clientes podem estar em qualquer parte do planeta, se houver vantagens competitivas.

Aspectos Fiscais e Tributários: procurar e negociar com os governos, ocupar regiões geográficas onde vantagens fiscais e tributárias são oferecidas. 

Redução dos Riscos: avaliar os processos e planejar para reduzir as chances de algo dar errado através da análise e correção, a logística tem que estar preparada para “a lei de Murphy”.

À medida que estas e outras práticas logísticas são implantadas, consegue-se uma gestão mais eficaz possibilitando a empresa obter resultados mais perceptíveis em termos de organização, fluxo estável, redução de custos, maximização de resultados, satisfação dos clientes e permanência no mercado.

A gestão da cadeia de suprimentos é um dos mais importantes passos a serem dados pelas empresas que necessitam melhorar seus processos, principalmente, quando envolve fornecedores e empresas terceirizadas em seus processos de manufatura e/ou distribuição. A importância da logística nos processos atuais é justificada pelos custos agregados resultantes.

A qualidade dos produtos e serviços é um fator determinantepara o sucesso de uma cadeia de suprimentos, pois a má qualidade ou falta dela pode gerar atrasos nas entregas com respectivos custos, multas, perdas financeiras e de imagem, bem como produtos danificados ou impróprios para o uso produzindo custos de retrabalho e de sucata. 

Muito se tem dito sobre esse assunto, porém, infelizmente, somente uma parte desse discurso é praticado no dia a dia das pessoas e empresas.

A observação sobre os impactos que causamos no planeta tem relação direta com a logística enxuta, porém poucos são os que param para reavaliar seus hábitos e práticas no âmbito individual e, consequentemente, no âmbito coletivo de suas ações.

            Uma sugestão que favorece o planeta e o bolso do empresário é começar a olhar a forma como se dão os processos logísticos da empresa, enxutos ou não!

Bibliografia

1-       José de Carvalho, Edições Silabo, Logística (2002), Estratégias Logísticas (2004).

2-       Donald Walters, Palgrave Macmillan Logistics (2003).

3-       Shapiro, Pacific Grove, Modeling the Supply Chain (2000).

4-       Ayers, St. Lucie Press, Introduction to the Supply Chain (2001).

 *Aldo Albieri é engenheiro eletrônico formado pele FEI e especialista em logística. Com mais de 20 anos de experiência na área industrial, atualmente é consultor de negócios da ABC71 Soluções em Informática.

01/04/2010 at 7:00 am 1 comentário

Estudo Aborda Benefícios de Logística Reversa

Os impactos ambientais de produtos não são decorrentes apenas do processo de produção, mas também do destino pós uso. Em muitos casos, materiais descartados podem ser reintegrados ao ciclo produtivo ou de negócios, beneficiando meio ambiente e economia. A gestão desses resíduos sólidos tem provocado preocupação e interesse da iniciativa pública e privada.

No estudo de caso “Gestão de canais reversos de captação de resíduos: o câmbio verde em Curutiba/PR”, pesquisadores destacam o pioneirismo dos organismos públicos do município de Curitiba em criar programas de coleta seletiva e reciclagem na região. Os levantamentos apontam, ainda, para novas oportunidades de negócio, já que a preocupação com o encaminhamento do lixo sólido tem resultado no surgimento de empresas interessadas em reciclar materiais e embalagens.

Diariamente, Curitiba produz cerca de 2 mil toneladas de lixo domiciliar. Em 1991 o município implantou o Programa Câmbio Verde que consiste na troca de material reciclável por produtos hortifrutigranjeiros. A ação incentiva os moradores a separarem produtos orgânicos dos inorgânicos promovendo o reforço alimentar de famílias carentes.

Além disso, atende outra demanda regional: “a colocação no mercado da produção de hortifrutigranjeiros de pequenos produtores da região metropolitana”, destacam os pesquisadores. Os trabalhadores desse setor viviam reivindicando incentivos, chegando a destruir parte da produção antes mesmo da colheita pela falta de perspectiva de mercado.

A ação do município paranaense beneficia a chamada “logística reversa”, ou seja, o planejamento, operação e controle do total de produtos já consumidos para a reutilização, reciclagem ou disposição em aterros sanitários adequados. Segundo a prefeitura, de 1991 até início de 2007 foram recolhidos e encaminhados para a reciclagem cerca de 45 mil toneladas de lixo.

A quantidade de material reciclado significa a economia de 195.252. 646 litros de água que teriam sido utilizados na produção das 45 mil toneladas de novos materiais. Dentre os resíduos recuperados, a partir do projeto, estão o papel e o papelão. A cada 50 quilos de papel reciclado evita-se o corte de uma árvore, Curitiba reaproveitou cerca de 4.5 mil toneladas de papel, logo evitou o corte de 90 mil árvores.

Atualmente o país aguarda a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, mesmo assim, alguns estados já estabeleceram leis para a gestão interna do setor – Ceará, Goiás, Mato Grosso, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima e Rio Grande do Sul. Curitiba é pioneira no país em relação à coleta seletiva, tendo implantado em 1989 o programa “Lixo que não é lixo”, que lhe concedeu o título de “capital Ecológica do país”, em 1990, pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Veja a íntegra do estudo.

Fonte: Lilian Milena, da Redação – ADV

30/11/2009 at 7:30 am Deixe um comentário

Indústria se prepara para atender lei de resíduos

A indústria será obrigada a desenvolver planos de gerenciamento para resíduos com estratégias para recuperar os produtos pós-uso, como pilhas, geladeiras e lâmpadas descartadas pelos consumidores. O empresário que não obedecer à regra ficará impossibilitado de licenciar suas atividades.

O Projeto de Lei (PL), nº 203/1991, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, está pronto para ser lido e votado no Congresso Nacional. O relator do documento, deputado Arnaldo Jardim, afirma que as chances do PL ser aceito ainda este ano, são fortes. Após tramitar por 19 anos, o Grupo de Trabalho que conduz o projeto (formado por representantes das empresas, trabalhadores do setor de reciclagem e pelo poder público) aprovou por unanimidade o texto enviado ao poder legislativo.

Além de formalizarem um plano para gerenciar o lixo sólido, as empresas que produzem ou comercializam agrotóxicos (seus resíduos e embalagens), pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes (seus resíduos e embalagens), eletroeletrônicos e lâmpadas fluorescentes serão obrigadas a promover a Logística Reversa – conjunto de ações que envolve transporte e modelo de reciclagem, realizado para facilitar a coleta e restituição dos resíduos pelos próprios geradores, para que sejam tratados ou reaproveitados.

A proposta leva em consideração que os impactos ambientais de produção não são decorrentes apenas de processo de produção, mas também do destino pós uso, especialmente dos materiais que o PL obriga aplicação da logística reversa, devido ao alto risco toxicológico de expô-los de qualquer maneira no meio ambiente.

Eletroeletrônicos

A principal discussão relacionada à logística reversa foi à viabilidade econômica desse processo para as indústrias de eletroeletrônicos e de lâmpadas fluorescentes. O diretor de Responsabilidade Socioambiental da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), André Saraiva, explica que o valor da recuperação de materiais não resulta em ganhos econômicos às indústrias, pois o Brasil carece de tecnologias capazes de tornar a reciclagem dos insumos atraentes do ponto de vista financeiro.

O diretor de Operações para o Mercosul da HP, Kami Saidi, destaca que a instituição está preparada para atender a legislação federal, assim que entrar em vigor. Mas confirma que a logística reversa ainda não é um processo rentável no país.

A companhia chega a recuperar 10% de todos os cartuchos, pilhas, baterias e hardwares que produz – os materiais recolhidos no Brasil são enviados para uma planta no Canadá, com tecnologia para transformar os recicláveis em insumos que são introduzidos de volta na cadeia de produção.

O gerente de Sustentabilidade da Whirlpool Latin America, grupo que agrega a brasileira Brastemp, Paulo Vodianitskaia, explica que a reciclagem permite reaproveitar até 90% dos componentes dos refrigeradores descartados, mas os fatores que compõe a logística de recuperação de insumos – transporte, linha de desmontagem e pessoal contratado – tornam o processo deficitário.

Graças a uma parceria com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), desde 2005 a companhia realiza a reciclagem de refrigeradores na fábrica de Joinville, Santa Catarina. Segundo Vodianitskaia, a recuperação cobre 1% da produção atual de geladeiras do grupo, dentro do Brasil – para que a proporção se torne maior, o gerente diz que é fundamental a participação dos consumidores.

“Os produtos são faturados, ou seja, cada refrigerador vendido, por exemplo, corresponde a um descartado. Mas por uma questão de habito popular, os produtos não são descartados de forma adequada e geralmente são doados seguidamente a várias pessoas antes de terminarem em locais, muitas vezes, inapropriados”, explica.

De janeiro de 2005 a maio de 2009, o grupo recuperou 1,5 mil toneladas de metal e plástico. No mesmo período 2 toneladas de gases de clorofluorcarbonetos (CFC) e hidroclorofluorcarbonetos (HCFC), retirados dos refrigeradores fora de uso, deixaram de ser emitidos – o equivalente a 9 mil toneladas de CO2, ou o que 65 mil árvores absorveriam da atmosfera.

O porta-voz da HP, Kami Saidi, destaca que a contribuição da indústria de eletroeletrônicos para as mudanças climáticas é de apenas 4% das emissões de gases de efeito-estufa. Mas reconhece o papel do setor no desenvolvimento da produção sustentável no mundo lembrando que cada vez mais os consumidores consideram o fator ambiental na hora das compras.

Metas

O PL não estipula metas de quanto cada setor deve recuperar. O Grupo de Trabalho do projeto considerou inviável obrigar as empresas a respeitarem porcentagens previamente estabelecidas, uma vez que o consumidor é quem passa a ter responsabilidade sobre o produto pós-compra, logo tem papel fundamental no ciclo que compõe a logística reversa.

O especialista em direito ambiental e secretário parlamentar sobre Política Nacional de Resíduos Sólidos do deputado Jardim, José Valverde, afirma que a imposição do Plano de Gerenciamento de Resíduos por empresa irá resultar na expansão natural da quantidade de materiais hoje recuperados no Brasil.

O plano será obrigado a todas as empresas, incluindo as de menor porte, que poderão apresentar propostas mais enxutas se suas produções não estiverem ligadas a processos com alto poder de poluição – como é o caso da indústria química. E para forçar a aplicação da política nacional, a aprovação do plano será vinculada ao licenciamento e renovação das atividades.

Importados

O conjunto de leis também obriga as importadoras a formularem um plano de recuperação para os produtos que comercializam. O diretor da Abinee, André Saraiva, destaca que hoje os eletroeletrônicos ‘órfãos’ – aqueles de origem ilegal – representam 35% do mercado, enquanto que os produtos negociados pela internet (importados), por 32% das vendas.

“O PL deve garantir isonomia entre indústria interna e importadores, caso contrário, prejudicará a competitividade das empresas instaladas no país. E por razões ambientais o governo deverá responder pela logística reversa dos produtos comercializados no mercado cinza [informal]”, aponta.

O deputado e relator do projeto, Arnaldo Jardim, ressalta que no texto enviado ao legislativo há mecanismos que propõe a aplicação de incentivos fiscais às atividades que melhorarem a gestão de seus resíduos, além de facilitar o financiamento na compra de equipamentos para a reciclagem – medidas aprovadas para ajudar na competitividade das empresas submetidas à lei.

Política Nacional

Saraiva conta que os setores de eletroeletrônicos e de lâmpadas fluorescentes passaram a apoiar a formulação da política federal para impedir a total independência dos estados e municípios na formulação de regras que prejudiquem a concepção da logística reversa em âmbito nacional.

Em janeiro, Minas Gerais publicou sua proposta com base no projeto de lei federal, segundo o porta voz da Abinee, considerado um plano modelo para o setor. Já a cidade de São Paulo, foi criticada pela associação por estabelecer metas de reciclagem. Em setembro deste ano, a prefeitura publicou lei que obriga os grandes geradores de resíduos sólidos (acima de 200 litros por dia) a separarem os materiais recicláveis e encaminhá-los para recuperação.

O deputado Arnaldo Jardim ressalta que o projeto de lei tem por objetivo definir medidas que devem ser adequadas por prefeituras e estados às suas respectivas realidades, um exemplo é o valor de multas decorrentes das penalidades sofridas por aqueles que não respeitarem o conjunto de leis – Minas Gerais estabeleceu entre R$ 50,00 e R$ 50 milhões.

O Brasil produz diariamente cerca de 169 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos, desse total, 20 mil toneladas não são sequer recolhidas e outras 60 mil toneladas são dispostas em lixões sem controle ambiental adequado – os dados são da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza e Resíduos Especiais (Abrelpe).

Fonte: Lilian Milena, da Redação – ADV

25/11/2009 at 7:30 am Deixe um comentário


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