Como desfazer os nós que limitam a movimentação de sua empresa

30/03/2010 at 8:00 am Deixe um comentário

Apesar de alguma oposição dos que refinam e sofisticam conceitos econômicos, a maioria dos especialistas entende que a movimentação de materiais não agrega valor ao produto. Nem por isto sua importância é menor, porque também existe o consenso de que é nela que estão as grandes possibilidades de se reduzirem os custos operacionais de uma empresa. No caso da indústria brasileira, na avaliação dos técnicos do setor, as oportunidades de redução de custos são muitas e significativas no botton line.

Uma das medidas de nossa performance nesta área reside na taxa de paletização, que está na casa dos 50% segundo especialistas, inferior à da indústria argentina, que chega a 75%, e muito aquém da taxa em países mais adiantados, como Estados Unidos, França e Alemanha, onde a taxa varia entre 90 e 95%.

A defasagem observada é atribuída a um viés cultural, uma vez que a “cultura logística” no País é relativamente nova, com pouco mais de uma década. O processo é do tipo recebimento fracionado/armazenamento paletizado/expedição fracionada. Muitas empresas ainda não perceberam as vantagens das estruturas de armazenagem que implicam necessariamente a paletização.

Perseguindo os “tempos mortos”

  • Como a capacidade de produção depende do aproveitamento do tempo de produção disponível, é importante eliminar e, na pior hipótese, minimizar o “tempo morto”, aquele tempo em que o processo não agrega valor ao produto.

    As grandes empresas já desencadearam uma verdadeira “guerra” contra o desperdício de tempo, mas a maioria das empresas ainda não deu ao tema a importância que os especialistas recomendam.

    Existem consideráveis vantagens operacionais e econômicas atrás de algumas providências relativamente simples para reduzir os “tempos mortos” registrados na movimentação de materiais e de produtos semi-acabados. É aqui que se observam os maiores desperdícios de tempo, com a agravante de que os desperdícios são vistos como “normais”. A experiência mostra que cerca de 30% do tempo de produção é desperdiçado na movimentação de materiais e produtos.

    Algumas sugestões dos especialistas para recuperar este tempo perdido:

  • rever o layout, em especial no que diz respeito à disposição do estoque em relação às máquinas de produção. O layout é definitivamente ruim quando o estoque de materiais está muito longe da produção; 
  • evitar retornos de materiais e/ou semi-acabados quando a produção ocorre em linha;
  • evitar a excessiva separação entre as máquinas;
  • evitar distribuir a produção por diferentes locais;
  • identificar claramente, no chão-de-fábrica, os espaços destinados à armazenagem de produtos em processo e movimentação.

Importância crescente

Dimensionar corretamente os estoques, seja de produtos acabados, seja de peças e componentes ou ainda de matéria-prima, é uma tarefa cada vez mais crítica nas empresas. Vários fatores estão influindo no sentido de reduzir os volumes estocados, mas os especialistas alertam para o risco de se precipitar uma redução de estoque sem cuidadosa análise da eficiência da logística disponível. Em outras palavras, antes da decisão de reduzir os níveis de estoque, será preciso avaliar como estão se comportando o transporte, a armazenagem e até o processamento dos pedidos.

Sem este levantamento preliminar, pode ocorrer um aumento do custo operacional, anulando as vantagens obtidas pela redução dos estoques e invalidando o objetivo mais importante das indústrias – assegurar a máxima disponibilidade do produto para o cliente final com o menor estoque possível.

Forçando a redução dos níveis estocados estão alguns importantes fatores:

  • A variedade cada vez maior de produtos originados de uma mesma fábrica e imposta pela sofisticação dos mercados. Para se ter uma idéia da complexidade da logística, basta olhar para a variedade de cosméticos de mesma marca disponíveis nas prateleiras dos supermercados.
  • A logística deste mix de produtos ficou consideravelmente mais complexa.
  • As elevadas taxas de juros que tornam financeiramente desinteressantes os grandes estoques, comparados com a renda financeira desse capital aplicado.
  • A formação de parcerias.
  • O papel desempenhado hoje pelos operadores logísticos.
  • A adoção de tecnologias da informação que permitem o intercâmbio de dados e a identificação rápida de volumes, peças, componentes e sua contagem.

Os ganhos convencem

Aquele viés cultural ainda resiste às inovações no campo da logística, mas os especialistas já detectam progressos e os esforços nas pequenas e médias empresas para ajustar e harmonizar as fases de suprimento, produção e distribuição.

Embora muitas empresas ainda hesitem diante dos investimentos, as vantagens decorrentes de um bom planejamento na estocagem, por exemplo, são convincentes. Ele viabiliza:

  • equilibrar demandas sazonais;
  • compensar diferentes capacidades das fases de produção;
  • garantir a continuidade do insumo;
  • reduzir “tempos mortos”;
  • melhorar a administração dos estoques;
  • descongestionar áreas de movimentação e produção.

Nestes tempos de downsizing, em que produtos, processos e plantas tendem a diminuir, a redução do espaço é um ganho importante. A armazenagem horizontal, por exemplo, pode estocar 27 m³ de material em 27 m², mas o mesmo volume estocado ocuparia apenas 9 m² no sistema de armazenagem vertical, com os correspondentes cortes de custos e ganhos de espaço e de produtividade.

Tecnologia em ascensão

Uma nova tecnologia está em ascensão no campo da Logística, a RFID, sigla inglesa para Radio Frequency Identification, e ameaça o espaço mercadológico em que reinava o código de barras. A nova tecnologia, também reconhecida por EPC – Electronic Product Code, tem sido usada no controle de produção há muito tempo. Embora a tecnologia ainda esteja em fase de amadurecimento neste campo, segundo vários especialistas, ela começa a ser aplicada na logística, com ênfase especial no controle da movimentação de materiais.

A indústria automobilística emprega esta tecnologia para controle da produção, apoiando as operações que precisam de identificação segura e automática. Nos últimos anos, contudo, a evolução da tecnologia produziu etiquetas de RFID menores e mais econômicas.

Como resultado, sua aplicação pode ser expandida para outras empresas, industriais e comerciais, que precisam rastrear e gerenciar estoques.

Ainda que a indústria automobilística esteja usando há muito tempo os sistemas RFID na linha de produção, eles ganharam recentemente mais espaço com novas aplicações. A preocupação mais acentuada da indústria em geral ainda está na eficiência que o RFID pode oferecer aos processos produtivos, mas começam a ganhar prestígio as aplicações do RFID na cadeia de suprimentos.

Vários especialistas entendem que os riscos de investimentos nestas aplicações são pequenos, comparados com a experiência que o sistema oferece neste campo. As especificações mais prováveis para esta tecnologia na logística industrial estão nos aplicativos de loop fechado, em processos locais e rastreamento de trabalhos em andamento, bem como no gerenciamento de grandes volumes. Neste mesmo caso está a aplicação do RFID na administração de veículos de movimentação de materiais, como empilhadeiras, reboques, racks e contêineres.

As tendências observadas hoje indicam que os códigos de barras terão de ceder uma parte de grandeza ainda imprevisível  de seu mercado para a tecnologia RFID, considerada mais moderna, mais rápida e eficiente. Em outras palavras, a tecnologia do código de barras teria chegado ao seu limite.

Seus defensores, contudo, têm argumentos que dariam aos códigos de barras uma longa sobrevida. Eles acreditam que a continuidade desta tecnologia está garantida por alguns fatos:

  • O parque já instalado de companhias está crescendo, especialmente no segmento das pequenas e médias empresas, e neste segmento sempre será mais econômico manter a tecnologia instalada que substituir todo o sistema de identificação.
  • Estão se abrindo para esta tecnologia setores de saúde e serviços, que podem usá-la para ganhar flexibilidade e competitividade.
  • Os leitores de códigos de barras estão ganhando melhoramentos tecnológicos que agilizam a coleta dos dados e, portanto, toda a interface inicial do sistema.

 

O artigo “Como desfazer os nós que limitam a movimentação de sua empresa” foi escrito a partir de informações obtidas em entrevista com o engenheiro João Luiz do Amaral, do Conselho de Logística da Associação Nacional do Transporte de Carga e Logística, e consulta às seguintes fontes:

O texto, em sua forma e conteúdo, porém, são de inteira responsabilidade do departamento editorial de Noticiário de Equipamentos Industriais – NEI.

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