Sacolas retornáveis sem custos

19/08/2010 at 6:00 am Deixe um comentário

O incentivo para que a população utilize sacolas retornáveis não é apenas uma questão de sustentabilidade, de preservação do meio ambiente, é antes de tudo uma questão de identificar os responsáveis pelos seus custos.

As campanhas publicitárias em prol do uso de sacolas retornáveis em substituição aos sacos plásticos, principalmente em supermercados, têm apresentado resultados pouco significativos. A bandeira dessas campanhas é o zelo pelo meio ambiente, a não degradação, a sustentabilidade do planeta.

Ocorre que o custo da sacola retornável deve ser pago pelo próprio consumidor. Em uma sociedade globalizada, na qual o consumo é incentivado durante 24 horas diárias, cada família precisaria de no mínimo 3 ou 4 sacolas retornáveis para transportar as compras de cada semana. E para as compras mensais serão necessárias muito mais sacolas.

O capitalismo é um sistema econômico com grande capacidade de mimetização; ele se reveste da cor e do jeito que quer ser visto pelos consumidores, de acordo com os interesses econômicos envolvidos. Consumir sacos plásticos e outras embalagens não degradáveis é muito ruim para a sustentabilidade do planeta, porque aumenta o volume de resíduos sólidos gerados e descartados nos lixões e aterros sanitários nem sempre ecologicamente estruturados, então por que não são criadas campanhas de educação ambiental a partir da fabricação de sacolas retornáveis financiadas através de parcerias entre o governo municipal, fabricantes de sacos plásticos e empresários de supermercados? Essas sacolas seriam entregues aos consumidores que realizassem compras no valor mínimo de R$ 50,00 (cinqüenta Reais).

Pode parecer uma ideia esdrúxula. Só parece, mas não é; porque os responsáveis pelos resíduos gerados na pós-venda e no pós-consumo dos produtos são os próprios produtores, não aqueles que consomem tais produtos. No interior do sistema capitalista, apesar do esforço para simular ausência de conflitos e apresentar sensação de bem estar coletivo, no nível individual sabe-se que as dificuldades não acabam e nem diminuem. Portanto, fazer propaganda para incentivar a utilização de sacolas retornáveis é uma prática social política e ecologicamente correta, mas os custos das sacolas não devem ser transferidos aos consumidores, mesmo porque serão utilizadas para transportar produtos comprados e pagos pelos consumidores, com toda a carga de impostos.

Reduzir a quantidade de sacos plásticos lançada no meio ambiente é uma necessidade social; evitar o aumento da emissão de dióxido de carbono com o aumento dos resíduos sólidos nos lixões é um dever social. Logo, utilizar sacolas retornáveis para diminuir a velocidade do aumento do     efeito estufa é uma prática social, mas não deve aumentar os custos de cada indivíduo.

E se alguém pensa que sacola retornável representa ícone do século XXI está equivocado, porque até o final da década de 70 as pessoas iam aos armazéns, mercados, feiras, tabernas, vendas e quitandas e levavam sacola, ou mocó, ou bornal ou bocapio ou bolsas com nomes de acordo com a região, para carregar as compras. Na época, o consumismo era mínimo e a logística reversa não representava ganho de competitividade às empresas.

Assim, o processo de criação da cultura do uso de sacolas retornáveis será lento e passa pela necessidade de provocar os ideais capitalistas para que os empresários assumam as suas parcelas de custos na fabricação das mesmas. Que os fabricantes de sacos plásticos alterem os seus processos produtivos, invistam em tecnologias e descubram matéria-prima menos prejudicial ao meio ambiente do que o plástico; que eles produzam sacolas retornáveis ou algumas embalagens com material biodegradável, de forma a descartá-las no meio ambiente sem prejuízo, após terem sido utilizadas para carregar produtos.

Sustentabilidade acima de tudo, principalmente no uso do dinheiro de cada indivíduo, porque somente assim é possível continuar pagando pela satisfação das necessidades individuais e familiares. Depois será muito mais fácil cuidar da sustentabilidade do planeta, principalmente se as sacolas retornáveis forem adquiridas a custo zero.

Por Evandro Brandão Barbosa, professor universitário  em Manaus-AM. Mestre em Educação, Administrador e Economista. Email: evandrobb@bol.com.br

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