LOGÍSTICA COMO FATOR DE COMPETITIVIDADE – Parte 2

01/11/2010 at 12:22 am Deixe um comentário

SCM – Supply Chain Management – Gerenciamento da Cadeia de Suprimento – hoje em dia as empresas estão tentando cada vez mais otimizar seus resultados como um todo, através da analise e gerenciamento de trocas entre as funções internas. O gerenciamento da cadeia de suprimento além, da integração funcional, objetiva a integração da rede por completo, ou seja, de toda a Cadeia de Suprimento, desde a concepção do produto até a sua colocação à disposição do consumidor final na hora certa, na quantidade certa pelo menor custo possível e com qualidade total.

A tecnologia tem avançado muito e as transformações nas organizações são cada vez maiores. Os impactos desses avanços nas pessoas dentro de uma empresa são os mais diversos, provocando mudanças bastante profundas na forma como aquelas empresas realizam negócios. No campo da logística esses avanços são cada vez mais determinantes para a sobrevivência da empresa. Atualmente, o cliente já não aceita que a empresa que transporta uma encomenda urgente não ofereça uma maneira de rastrear o seu trajeto através da internet.

Tem sido comum por aqui confundir-se o conceito de logística com transporte. Transporte é parte da logística . Hoje somente 0.5% das empresas brasileiras têm um departamento de logística. Segundo dados da Associação Brasileira de Movimentação Logística (Aslog), a logística já movimenta 18% do PIB do Brasil.

Com as operações das empresas cada vez mais integradas internamente, o fator de competitividade acaba se concentrando na Supply Chain Management. Segmentos da economia como o setor automobilístico tem utilizado com bastante eficiência as técnicas como o JIT- Just-In-Time ( matéria prima na linha de produção ), Kamban (reabastecimento com fichas diferenciadas ) e mais recentemente o Milk run ( coleta de porta em porta ), aos demais setores da economia é obvia a necessidade de se contar com recursos que otimizassem mais a relação custos/benefícios nos mais variados segmentos da economia do país. Precisa-se de um sistema capaz de escoar os produtos na velocidade exigida pelo mercado e que, ao mesmo tempo, funcione como um novo elemento de redução de custos. Mais do que nunca, é que, para uma empresa, entregar é tão importante quanto produzir e vender. Para que tal aconteça devemos buscar implantar determinadas ferramentas muito utilizadas pelas empresas dos Países considerados do primeiro mundo, impulsionado pela tecnologia da informação, no inicio dos anos 80 “LOGÍSTICA INTEGRADA”– que é uma estratégia empresarial que engloba diversas funções de uma empresa ou diversas empresas de uma cadeia de distribuição.

Ao agilizar o fluxo de informações e de materiais permite-se maior eficiência no suprimento da fábrica, no planejamento da produção e na distribuição física dos produtos acabados.

Planejamento da Operação Logística. O processo decisório inicia-se com o planejamento da operação logística. Três atividades despontam nesta fase de planejamento: a identificação das características da carga, a preparação para o transporte e a escolha do modo de transporte.

Identificação das características da carga. A identificação das características da carga inicia com a observação do tipo da carga: Geral ou a Granel. Carga geral caracteriza-se por uma variedade de produtos, que podem ser transportados por diferentes modos de transporte. Carga a Granel caracteriza-se por produtos líquidos, gasosos ou sólidos, normalmente transportados por esteiras ou dutos, e armazenadas em tanques ou silos.

Preparação para o transporte Na preparação para o transporte, o processo decisório envolve o tipo de embalagem, a marcação da carga e a necessidade de unitizála.

Transportes Internacionais. O transporte representa uma das etapas mais importantes e fundamentais nas operações de importação e exportação, podendo tanto favorecê-las como colocá-las em risco. A decisão sobre o tipo de transporte a ser utilizado envolve aspectos financeiros, comerciais e operacionais. Portanto, esta etapa do planejamento de uma operação internacional requer muita atenção e cautela.

Fatores que devem ser considerados na escolha do meio de transporte

  • Pontos de embarque e de desembarque.
  • Custos relacionados com embarque, desembarque, cuidados especiais, frete até o ponto de embarque, frete internacional, manuseio de carga.
  • Urgência na entrega.
  • Características da carga: peso, volume, formato, dimensão, periculosidade, cuidados especiais, refrigeração, etc.
  • Possibilidades de uso do meio de transporte: disponibilidade, freqüência, adequação, exigências legais, etc.

Intermodalidade

O intermodal caracteriza-se pelo transporte da mercadoria em duas ou mais modalidades, em uma mesma operação. Cada transportador deve emitir um documento, e responsabilizar-se individualmente pelo serviço que prestado.

O transporte intermodal pode reduzir custos nos casos em que o local de entrega da mercadoria for de difícil acesso e pode ser atingido por meio de um único meio de transporte.

Multimodalidade

O multimodal vincula o percurso da carga a um único documento de transporte – Documento ou Conhecimento de Transporte Multimodal, independente das diferentes combinações de meios de transporte. Algumas empresas estão desenvolvendo estratégias operacionais de distribuição física internacional em direção à multimodalidade, ou seja, oferecendo serviços completos porta-a-porta, através do operador de Transporte Multimodal (OTM).

O transporte multimodal é disciplinado pela Lei 9611/98 de 20/02/98. Permite manipulação e movimentação mais rápida da carga. Garante maior proteção à carga, reduzindo riscos de danificação. Diminui os custos de transporte a partir da utilização e consolidação da carga. À seguir são apresentados as caracteristicas dos principais modais.

 

Transporte Rodoviário

  • facilidade na entrega da mercadoria;
  • recomendável para curtas e médias distâncias;
  • agilidade e flexibilidade no deslocamento de cargas, isoladas ou em conjunto;
  • simplicidade de funcionamento;
  • permite os embarques urgentes em qualquer momento;
  • entrega direta e segura dos bens;
  • manuseio mínimo da carga;
  • entrega rápida em distâncias curtas;
  • exige embalagens mais simples e de baixo custo;

O Convênio sobre Transporte Internacional Terrestre, assinado por Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Chile e Peru, regulamenta a movimentação de carga por rodovias e os procedimentos referentes aos assuntos aduaneiros, migratórios, de seguros e operacionalidade do sistema de transporte internacional.

Transporte Ferroviário

  • não possui flexibilidade de percurso;
  • não apresenta muita agilidade;
  • menor custo de transporte;
  • frete mais barato que o rodoviário;
  • não enfrenta problemas decongestionamento;
  • terminais de carga próximos às fontes de produção;
  • transporte de grande quantidade de mercadoria;
  • apropriado para o transporte de mercadorias agrícolas a granel, derivados de petróleo e produtos siderúrgicos;
  • comporta também o tráfego de contêineres.

Transporte Marítimo

  • é o meio mais utilizado no comércio exterior em função do seu baixo custo;
  • agilidade e eficiência.

Deve ser verificado se o transporte da mercadoria contará com uma malha portuária automatizada e com boa capacidade de carga, descarga e translado, o que possibilita uma diminuição de custos.

O frete representa o montante recebido pelo armador como remuneração pelo transporte de carga. A tarifa de frete é calculada com base no peso (tonelada) ou no volume (cubagem), e é determinada para ser cobrada por mercadoria.

Quando a mercadoria não estiver identificada, a tarifa de frete será cobrada como Tarifa Geral, cujo valor é mais alto. Despesas incidentes na movimentação de cargas nos portos: capatazia – cobrada pela utilização das instalações portuárias; estiva: taxa devida pela arrumação das cargas no navio com utilização de equipamento de bordo.

Consolidação de carga marítima: consiste no embarque de diversos lotes de carga, podendo ser de diferentes agentes embarcadores, com pagamento de frete proporcional ao espaço ocupado efetivamente pelos respectivos volumes embarcados. Possibilita a redução dos custos de transporte, uma vez que o embarcador pode arcar apenas com a taxa representativa da fração do espaço utilizado – BOXRATE.

Transporte Aéreo

  • ideal para o envio de mercadorias com pouco peso e volume;
  • eficácia comprovada nas entregas urgentes;
  • acesso a mercados difíceis de serem alcançados por outros meios de
  • transporte;
  • redução dos gastos de armazenagem;
  • agilidade no deslocamento de cargas;
  • maior rapidez;
  • facilidade e segurança no deslocamento de pequenos volumes;
  • diminuição de custos das embalagens;
  • crescente aumento de frotas e rotas.

Em geral, os embarques não são negociados pelos exportadores diretamente com as empresas aéreas, exceto quando se tratar de grandes volumes. Os agentes de carga da IATA –International Air Transport Association – são os intermediários entre as empresas aéreas e os usuários. Eles têm todas as informações referentes a vôos, empresas, rotas, vagas em aeronaves, fretes etc, e têm também facilidade na obtenção de descontos nos fretes com a consolidação de carga.

Fatores básicos de segurança, ética e operacionalidade são estabelecidos pelas normas da IATA e por acordos e convenções internacionais. A utilização do transporte aéreo permite a manutenção de pequeno estoque, com embarques diários, no caso das indústrias que utilizam o sistema “just in time” , o que reduz os custos do capital de giro da empresa.

Seguro internacional de cargas: objetiva cobrir eventuais riscos durante a operação de movimentação e transporte de cargas.

Romeu Artur Ribeiro

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