Gargalo em logística freia economia do Rio

04/02/2013 at 9:00 am Deixe um comentário

Os principais gargalos da Via Dutra, da Ponte Rio-Niterói e da rodovia Rio-Juiz de Fora provocam cada vez mais acidentes, afetando diretamente a economia fluminense, embora obras para essas estradas não estejam previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Levantamento exclusivo da Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan) mostra que o custo dos acidentes nos piores trechos dessas rodovias somará R$ 2,6 bilhões em nove anos, de 2013 a 2021. Com o crescimento da frota e as estradas precárias, o estudo estima que o número de acidentes nesses locais que carecem de investimento vai subir 76% no período se nada for feito pelo governo e pelas concessionárias. E o número de mortes vai praticamente dobrar no período: alta de 96%. Além do drama humano, a economia do estado padece: o Rio fica com acesso mais difícil à maior economia do país, São Paulo, e ao terceiro maior mercado nacional, Minas Gerais. E essas estradas ainda criam dificuldades entre a capital e sua principal região industrial, em Resende e Volta Redonda, e na ligação com a região que mais cresce, no Norte Fluminense.
— Estes problemas geram um alto custo para o estado e para o país, além do drama humano dos acidentes. O estado fica de certa maneira mais isolado, os custos dos fretes sobem, o transporte fica sem previsibilidade de seus prazos e o Rio perde competitividade — afirmou Cristiano Prado, gerente de Competitividade Industrial e Investimentos da Firjan.
Os três principais gargalos rodoviários do estado são mais que conhecidos: a falta da duplicação e modernização da Serra das Araras, na Dutra, e da Serra de Petrópolis, na BR-040, e a ausência de bons acessos nas duas pontas da Ponte Rio-Niterói. Embora sejam estradas concedidas à iniciativa privada, ou estas obras não foram previstas nos programas de concessão ou foram dimensionadas de forma errada. Segundo a Firjan, para resolver estes problemas seriam necessários investimentos de R$ 2,7 bilhões — R$ 200 milhões para a Ponte, R$ 750 milhões para a BR-040 e o restante para a Dutra. Da mesma forma, os impactos econômicos dos acidentes nestes trechos foram calculados pela entidade: passarão de R$ 119,6 milhões, em 2012, para R$ 450,8 milhões em 2020 se nada for feito, ultrapassando os R$ 540 milhões em 2021. O levantamento não considera os prejuízos causados pelos congestionamentos diários e que não são motivados por colisões, mas pelo simples excesso de tráfego e falta de infraestrutura, o que torna o impacto desses gargalos ainda maior que o estimado pela entidade.
— Hoje em dia temos uma média de seis acidentes diários nesses três pequenos trechos, mas que afetam todo o transporte. Se os gargalos continuarem, essa média passará de dez por dia em 2020, o que causará ainda mais congestionamentos e elevação dos valores dos fretes. E temos que lembrar que nos três trechos não há alternativas de transporte tão fáceis — disse.
Nesses três trechos das estradas, segundo o levantamento, ocorreram, em 2012, uma média de seis acidentes por dia — 2.182 em todo ano. Daqui a oito anos serão 3.850 acidentes, ou 10,5 por dia, se essas obras não saírem do papel. O total de mortes por ano passará dos atuais 29 para 57. A expectativa da Firjan é que o total de ocorrências e óbitos cresçam mais que o volume de tráfego, repetindo o que já ocorreu. Na Serra das Araras (Dutra), por exemplo, o tráfego cresceu 21,5% entre 2008 e 2012, enquanto o número de acidentes no trecho subiu 49%.
Segundo Paulo Fleury, presidente do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), isso ocorre pois, com o aumento do tráfego, ficam mais evidentes os problemas das estradas, muitas delas com traçados antiquados e pensadas para uma outra realidade de volume de carros e caminhões menores. Segundo ele, a solução definitiva para estes gargalos passa pela conscientização dos impactos destes acidentes:
— Não falo apenas da conscientização dos motoristas, mas também dos governos, que precisam investir.
Governo estuda solução alternativa
Apesar de serem consideradas prioritárias, as obras não estão previstas nem pelo governo federal, nem pelas concessionárias das rodovias. Em dezembro, Bernardo Figueiredo, presidente da Empresa de Planejamento em Logística (EPL), afirmou que o governo quer fazer estas três obras e negociará com as empresas, mas não quer pedágios mais caros nem prorrogar contratos. O objetivo é fazer com que as empresas façam as obras e sejam ressarcidas depois.
As concessionárias informam que estão dispostas a conversar. O Grupo CCR, que administra a Ponte e a Dutra, afirma que acompanha as discussões na Agência Nacional de Transportes Terrestres e que pode melhorar o serviço, desde que seja mantido o equilíbrio econômico do contrato. A Concer, que já deveria ter duplicado o trecho de serra, lembra que o valor previsto no contrato era muito inferior ao custo real da obra, e que está esperando uma nova adequação do contrato para fazer a nova subida para Petrópolis.

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