Posts tagged ‘Reciclagem’

Estudo Aborda Benefícios de Logística Reversa

Os impactos ambientais de produtos não são decorrentes apenas do processo de produção, mas também do destino pós uso. Em muitos casos, materiais descartados podem ser reintegrados ao ciclo produtivo ou de negócios, beneficiando meio ambiente e economia. A gestão desses resíduos sólidos tem provocado preocupação e interesse da iniciativa pública e privada.

No estudo de caso “Gestão de canais reversos de captação de resíduos: o câmbio verde em Curutiba/PR”, pesquisadores destacam o pioneirismo dos organismos públicos do município de Curitiba em criar programas de coleta seletiva e reciclagem na região. Os levantamentos apontam, ainda, para novas oportunidades de negócio, já que a preocupação com o encaminhamento do lixo sólido tem resultado no surgimento de empresas interessadas em reciclar materiais e embalagens.

Diariamente, Curitiba produz cerca de 2 mil toneladas de lixo domiciliar. Em 1991 o município implantou o Programa Câmbio Verde que consiste na troca de material reciclável por produtos hortifrutigranjeiros. A ação incentiva os moradores a separarem produtos orgânicos dos inorgânicos promovendo o reforço alimentar de famílias carentes.

Além disso, atende outra demanda regional: “a colocação no mercado da produção de hortifrutigranjeiros de pequenos produtores da região metropolitana”, destacam os pesquisadores. Os trabalhadores desse setor viviam reivindicando incentivos, chegando a destruir parte da produção antes mesmo da colheita pela falta de perspectiva de mercado.

A ação do município paranaense beneficia a chamada “logística reversa”, ou seja, o planejamento, operação e controle do total de produtos já consumidos para a reutilização, reciclagem ou disposição em aterros sanitários adequados. Segundo a prefeitura, de 1991 até início de 2007 foram recolhidos e encaminhados para a reciclagem cerca de 45 mil toneladas de lixo.

A quantidade de material reciclado significa a economia de 195.252. 646 litros de água que teriam sido utilizados na produção das 45 mil toneladas de novos materiais. Dentre os resíduos recuperados, a partir do projeto, estão o papel e o papelão. A cada 50 quilos de papel reciclado evita-se o corte de uma árvore, Curitiba reaproveitou cerca de 4.5 mil toneladas de papel, logo evitou o corte de 90 mil árvores.

Atualmente o país aguarda a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, mesmo assim, alguns estados já estabeleceram leis para a gestão interna do setor – Ceará, Goiás, Mato Grosso, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima e Rio Grande do Sul. Curitiba é pioneira no país em relação à coleta seletiva, tendo implantado em 1989 o programa “Lixo que não é lixo”, que lhe concedeu o título de “capital Ecológica do país”, em 1990, pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Veja a íntegra do estudo.

Fonte: Lilian Milena, da Redação – ADV
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30/11/2009 at 7:30 am Deixe um comentário

Indústria se prepara para atender lei de resíduos

A indústria será obrigada a desenvolver planos de gerenciamento para resíduos com estratégias para recuperar os produtos pós-uso, como pilhas, geladeiras e lâmpadas descartadas pelos consumidores. O empresário que não obedecer à regra ficará impossibilitado de licenciar suas atividades.

O Projeto de Lei (PL), nº 203/1991, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, está pronto para ser lido e votado no Congresso Nacional. O relator do documento, deputado Arnaldo Jardim, afirma que as chances do PL ser aceito ainda este ano, são fortes. Após tramitar por 19 anos, o Grupo de Trabalho que conduz o projeto (formado por representantes das empresas, trabalhadores do setor de reciclagem e pelo poder público) aprovou por unanimidade o texto enviado ao poder legislativo.

Além de formalizarem um plano para gerenciar o lixo sólido, as empresas que produzem ou comercializam agrotóxicos (seus resíduos e embalagens), pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes (seus resíduos e embalagens), eletroeletrônicos e lâmpadas fluorescentes serão obrigadas a promover a Logística Reversa – conjunto de ações que envolve transporte e modelo de reciclagem, realizado para facilitar a coleta e restituição dos resíduos pelos próprios geradores, para que sejam tratados ou reaproveitados.

A proposta leva em consideração que os impactos ambientais de produção não são decorrentes apenas de processo de produção, mas também do destino pós uso, especialmente dos materiais que o PL obriga aplicação da logística reversa, devido ao alto risco toxicológico de expô-los de qualquer maneira no meio ambiente.

Eletroeletrônicos

A principal discussão relacionada à logística reversa foi à viabilidade econômica desse processo para as indústrias de eletroeletrônicos e de lâmpadas fluorescentes. O diretor de Responsabilidade Socioambiental da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), André Saraiva, explica que o valor da recuperação de materiais não resulta em ganhos econômicos às indústrias, pois o Brasil carece de tecnologias capazes de tornar a reciclagem dos insumos atraentes do ponto de vista financeiro.

O diretor de Operações para o Mercosul da HP, Kami Saidi, destaca que a instituição está preparada para atender a legislação federal, assim que entrar em vigor. Mas confirma que a logística reversa ainda não é um processo rentável no país.

A companhia chega a recuperar 10% de todos os cartuchos, pilhas, baterias e hardwares que produz – os materiais recolhidos no Brasil são enviados para uma planta no Canadá, com tecnologia para transformar os recicláveis em insumos que são introduzidos de volta na cadeia de produção.

O gerente de Sustentabilidade da Whirlpool Latin America, grupo que agrega a brasileira Brastemp, Paulo Vodianitskaia, explica que a reciclagem permite reaproveitar até 90% dos componentes dos refrigeradores descartados, mas os fatores que compõe a logística de recuperação de insumos – transporte, linha de desmontagem e pessoal contratado – tornam o processo deficitário.

Graças a uma parceria com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), desde 2005 a companhia realiza a reciclagem de refrigeradores na fábrica de Joinville, Santa Catarina. Segundo Vodianitskaia, a recuperação cobre 1% da produção atual de geladeiras do grupo, dentro do Brasil – para que a proporção se torne maior, o gerente diz que é fundamental a participação dos consumidores.

“Os produtos são faturados, ou seja, cada refrigerador vendido, por exemplo, corresponde a um descartado. Mas por uma questão de habito popular, os produtos não são descartados de forma adequada e geralmente são doados seguidamente a várias pessoas antes de terminarem em locais, muitas vezes, inapropriados”, explica.

De janeiro de 2005 a maio de 2009, o grupo recuperou 1,5 mil toneladas de metal e plástico. No mesmo período 2 toneladas de gases de clorofluorcarbonetos (CFC) e hidroclorofluorcarbonetos (HCFC), retirados dos refrigeradores fora de uso, deixaram de ser emitidos – o equivalente a 9 mil toneladas de CO2, ou o que 65 mil árvores absorveriam da atmosfera.

O porta-voz da HP, Kami Saidi, destaca que a contribuição da indústria de eletroeletrônicos para as mudanças climáticas é de apenas 4% das emissões de gases de efeito-estufa. Mas reconhece o papel do setor no desenvolvimento da produção sustentável no mundo lembrando que cada vez mais os consumidores consideram o fator ambiental na hora das compras.

Metas

O PL não estipula metas de quanto cada setor deve recuperar. O Grupo de Trabalho do projeto considerou inviável obrigar as empresas a respeitarem porcentagens previamente estabelecidas, uma vez que o consumidor é quem passa a ter responsabilidade sobre o produto pós-compra, logo tem papel fundamental no ciclo que compõe a logística reversa.

O especialista em direito ambiental e secretário parlamentar sobre Política Nacional de Resíduos Sólidos do deputado Jardim, José Valverde, afirma que a imposição do Plano de Gerenciamento de Resíduos por empresa irá resultar na expansão natural da quantidade de materiais hoje recuperados no Brasil.

O plano será obrigado a todas as empresas, incluindo as de menor porte, que poderão apresentar propostas mais enxutas se suas produções não estiverem ligadas a processos com alto poder de poluição – como é o caso da indústria química. E para forçar a aplicação da política nacional, a aprovação do plano será vinculada ao licenciamento e renovação das atividades.

Importados

O conjunto de leis também obriga as importadoras a formularem um plano de recuperação para os produtos que comercializam. O diretor da Abinee, André Saraiva, destaca que hoje os eletroeletrônicos ‘órfãos’ – aqueles de origem ilegal – representam 35% do mercado, enquanto que os produtos negociados pela internet (importados), por 32% das vendas.

“O PL deve garantir isonomia entre indústria interna e importadores, caso contrário, prejudicará a competitividade das empresas instaladas no país. E por razões ambientais o governo deverá responder pela logística reversa dos produtos comercializados no mercado cinza [informal]”, aponta.

O deputado e relator do projeto, Arnaldo Jardim, ressalta que no texto enviado ao legislativo há mecanismos que propõe a aplicação de incentivos fiscais às atividades que melhorarem a gestão de seus resíduos, além de facilitar o financiamento na compra de equipamentos para a reciclagem – medidas aprovadas para ajudar na competitividade das empresas submetidas à lei.

Política Nacional

Saraiva conta que os setores de eletroeletrônicos e de lâmpadas fluorescentes passaram a apoiar a formulação da política federal para impedir a total independência dos estados e municípios na formulação de regras que prejudiquem a concepção da logística reversa em âmbito nacional.

Em janeiro, Minas Gerais publicou sua proposta com base no projeto de lei federal, segundo o porta voz da Abinee, considerado um plano modelo para o setor. Já a cidade de São Paulo, foi criticada pela associação por estabelecer metas de reciclagem. Em setembro deste ano, a prefeitura publicou lei que obriga os grandes geradores de resíduos sólidos (acima de 200 litros por dia) a separarem os materiais recicláveis e encaminhá-los para recuperação.

O deputado Arnaldo Jardim ressalta que o projeto de lei tem por objetivo definir medidas que devem ser adequadas por prefeituras e estados às suas respectivas realidades, um exemplo é o valor de multas decorrentes das penalidades sofridas por aqueles que não respeitarem o conjunto de leis – Minas Gerais estabeleceu entre R$ 50,00 e R$ 50 milhões.

O Brasil produz diariamente cerca de 169 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos, desse total, 20 mil toneladas não são sequer recolhidas e outras 60 mil toneladas são dispostas em lixões sem controle ambiental adequado – os dados são da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza e Resíduos Especiais (Abrelpe).

Fonte: Lilian Milena, da Redação – ADV

25/11/2009 at 7:30 am Deixe um comentário


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